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25 de JANEIRO de 2018 | Fonte: Correio do Estado

MS: Em esquema, médico usava prótese vencida em cardíacos, aponta Polícia Federal

Operação da PF hoje de manhã em Campo Grande (Foto: Valdenir Rezende)

O médico Mercule Cavalcante usou próteses, chamadas de stents, vencidas em pacientes dos hospitais Universitário e Regional de Campo Grande. Essa era um das várias práticas no esquema investigado pela Polícia Federal (PF) e Controladoria Geral da União (CGU), na “Operação Again”, desencadeada na manhã de hoje (25).

Em coletiva de imprensa, a PF e a CGUdetalharam a ação do médico e do empresário Pablo Figueiredo, dono da Amplimed, que organizavam o esquema que atuava nos dois hospitais da Capital.

Conforme a PF, o médico e o empresário manipulavam cláusulas em licitações dos hospitais para que somente a Amplimed fosse capaz de vencer o certame. Já com a posse do direito de fornecer materiais cardíacos, o esquema superfaturava kits em até 100%.

Um exemplo citado durante a coletiva foi a compra de kits por até R$ 2 mil, sendo que no mercado comum o mesmo produto custa R$ 800.

Além de superfaturar, quando os materiais chegavam ao hospital, o grupo desviava os produtos para clínicas particulares. Entre os anos de 2016 e 2017, o esquema realizou compras de R$ 6 milhões, dando prejuízo efetivo de até R$ 3 milhões.

Ao todo, 20 mandados foram expedidos e cumpridos em Campo Grande, Dourados e Belém, no Pará. Oito pessoas estão sendo investigadas. Além de Cavalcante e Figueiredo, outros servidores dos hospitais e empresários também estão envolvidos.

O esquema envolvia pagamento de propina para que a licitação fraudada passasse. Viagens para o exterior e carros de luxo eram usados como forma de corromper as pessoas. Participaram da coletiva o delegado Cléo Mazzotti, superintendente da PF em exercício, Marcelo Botelho, que chefiou a investigação, e José Paulo Barbieri, superintendente regional da CGU.

Os envolvidos devem responder por corrupção passiva, corrupção ativa, peculato e fraude em licitação. O médico e o empresário devem colocar tornozeleira eletrônica e estão proibidos de entrar em hospitais públicos. A próxima fase da operação deve ouvir testemunhas, periciar as provas e analisar os materiais apreendidos.



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